BaÃa de Guanabara (RJ) segue poluÃda após 15 anos de obras
"A baÃa sofre pela posição estratégica, pelo tamanho e pela profundidade", resume José Maria Pugas, presidente da Federação dos Pescadores do Rio de Janeiro (Feperj). "São cinco mil indústrias potencialmente poluidoras, e mais de 70% não têm tratamento de resÃduos de qualquer ordem".
Após 15 anos do Programa de Despoluição da BaÃa de Guanabara (PDBG) divide opiniões, os envolvidos concordam que os resultados aparecem de maneira mais tÃmida do que era de se esperar. Mas eles também superam obstáculos que vão da burocracia ao desvio de verbas.
"A baÃa sofre pela posição estratégica, pelo tamanho e pela profundidade", resume José Maria Pugas, presidente da Federação dos Pescadores do Rio de Janeiro (Feperj). "São cinco mil indústrias potencialmente poluidoras, e mais de 70% não têm tratamento de resÃduos de qualquer ordem".
| Rafael Andrade-18.dez.2007/Folha Imagem |
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| Navio transatlântico atravessa a BaÃa de Guanabara, perto da Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro (RJ); despoluição após 15 anos atrasou |
São 16 os municÃpios ao redor da BaÃa de Guanabara e até há bem pouco tempo todos despejavam resÃduos lÃquidos e sólidos em suas águas, por meio dos rios que nascem no interior do Estado, sobretudo nas áreas industriais da zona Norte e da baixada Fluminense.
De acordo com os órgãos oficiais, a despoluição caminha na proporção dos recursos. As estações de tratamento de esgoto (ETE) de Paquetá, da Ilha do Governador, de Icaraà (Niterói) e da Alegria, no bairro do Caju, operam em toda a capacidade ou de maneira ainda parcial.
PolÃticos
As objeções feitas aos dados oficiais sobretudo por ambientalistas é que algumas das ETEs foram instaladas no governo Rosinha Garotinho (2003/2007) sem a rede de dutos para conduzir o esgoto à estação.
"A classe polÃtica que se apossou do dinheiro para a despoluição da BaÃa de Guanabara não estava preparada para a missão", diagnostica a vereadora Aspásia Camargo (PV).
Na sua opinião, os polÃticos não tinham noção da importância econômica e social da baÃa, por isto "fragmentaram os recursos em ações desorganizadas e desarticuladas --e o resultado foi pÃfio".
Os recursos a que se refere a vereadora são cerca de US$ 800 milhões da parceria do Estado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Japonês de Cooperação Internacional (JBIC, em inglês).
"Foi um programa de socorro a um Estado falido", disse a vereadora, endossando o que denuncia a Feperj (Federação de Pescadores do Estado do Rio de Janeiro) sobre a aquisição de viaturas policiais e outros gastos não relacionados com a BaÃa de Guanabara.
"Para dar uma ideia, nós executamos um trabalho de limpeza do leito da baÃa, feito com redes desenhadas pelos próprios pescadores, e em um ano já retiramos mais de mil toneladas de lixo", revela Pugas, em referência a todo tipo de material plástico capturado na operação.
O geógrafo Alberto Toledo Resende, coordenador do projeto BaÃa Limpa da federação, reclama da falta de uma polÃtica de governo para a despoluição da BaÃa de Guanabara, com o monitoramento dos rios e a fiscalização permanente. "Em dez minutos de trabalho, recolhemos 30 quilos de plástico", disse Resende.
| Custódio Coimbra/Divulgação | ||
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| Praia do Catalão (RJ), imagem no livro "BaÃa de Guanabara - Biografia de uma paisagem" de Eliane Pinheiro |
Maior obra
A Secretaria do Ambiente afirma que o PDBG representa o maior conjunto de obras de saneamento básico realizado no Rio de Janeiro nos últimos 30 anos.
"As obras de sua primeira fase, contudo, devido às irregularidades, sofreram atrasos e parte foi malfeita. Com a posse do novo governo estadual, tornou-se prioridade o término de sua primeira fase", informa a secretaria.
Dos investimentos de US$ 1,2 bilhão na primeira fase, a secretaria diz que já foram gastos US$ 989,3 milhões.
"Mas ainda há uma série de obras por terminar, como a construção de troncos e redes coletoras de esgotos nas bacias dos rios Alegria, Pavuna e SarapuÃ, a implantação de redes de abastecimento de água na baixada Fluminense e a instalação do sistema de tratamento secundário da ETE Alegria", completa a secretaria do Ambiente.
Mais tempo
Tanto quanto a vereadora Aspásia Camargo e o presidente da Federação dos Pescadores do Rio de Janeiro, a secretaria também reconhece que a despoluição da BaÃa de Guanabara é trabalho para muito mais tempo do que previa originalmente o PDBG.
A diferença é que, do lado de fora da administração estadual, o que se pede é uma polÃtica de governo para enfrentar a questão.
"É preciso fazer da despoluição da BaÃa de Guanabara uma ação conhecida pela sociedade, mostrar na televisão a determinação do governador, do prefeito, criar mastros dentro da água da baÃa mostrando o quanto se está recuperando, o que está se despoluindo", diz Aspásia.
"A população precisa acompanhar de perto, se sensibilizar com o programa de despoluição", completa ela, reportando ações semelhantes desenvolvidas em paÃses europeus e norte-americanos, apresentadas há algum tempo no Rio.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u691542.shtml


